31 dezembro 2009

Estratégia para earnout

O earn-out é uma modalidade de financiamento de parte do valor da aquisição de uma empresa e vinculado ao desempenho futuro do negócio.
São diversos os estágios que definem a melhor estratégia para um “earn-out”.

Alguns conceitos mesmo sendo elementares, não dispensam cuidados.
Assim, seguem algumas recomendações relacionadas a:
(i) a escolha da empresa-alvo e seus respectivos sócios;
(ii) determinação do valor;
(iii) estrutura do pagamento: antecipado e postecipado.

Para Seleção do sócio

A identificação apropriada do sócio é talvez o elemento o mais importante de um bem sucedido earn-out. Ambos – comprador e vendedor – deverão estar comprometidos com o integral sucesso da fusão.

Paciência, persistência e flexibilidade recíprocas contribuem decisivamente para que sejam alcançados os objetivos mutuamente acordados. As partes também têm que acreditar que estão recebendo tratamento justo nos termos do negócio.

Os sócios da empresa adquirida devem ter em mente a importância do alinhamento com plano de negócio, estabelecido em conjunto com o comprador, particularmente em relação às metas de vendas, relacionamento com canais, desenvolvimento de produtos, vendas cruzadas, níveis de qualidade, prazos de entrega, etc. O processo de mapeamento envolve o entendimento de como os produtos ou as tecnologias da empresa vendedora serão alinhados no decorrer da transição bem como da estratégia de longo prazo da empresa compradora e vice- versa. Estas adaptações de tecnologia ou do produto são fundamentais para que o relacionamento a longo prazo seja viável.

Neste momento é muito importante uma diligência mais detalhada a respeito. A compreensão das metas, sua razoabilidade e exigibilidade no “earn-out “ passam por esta avaliação, seja das competências técnicas de “entrega” do time vendedor avaliadas pelo comprador, seja pelas condicionantes exeqüíveis estabelecidas pelo comprador ao vendedor.

Tanto o vendedor como o comprador têm considerável flexibilidade para estruturar o “earn-out “ e alcançar acordo em relação aos objetivos. Por exemplo, podem ser vinculadas metas estratégicas e táticas, tais como faturamento, margens, taxa de crescimento ou taxa de retorno, Ebitda, nível de capacidade de utilização, para vendedores de modo geral ou com perfis diferenciados, estabelecendo metas de desempenho para unidades de negócios específicas ou em relação a companhia como um todo.

Cuidados adicionais se devem ter no estabelecimento das metas e critérios para os seus cálculos de modo a não permitir dúvidas ou mal entendidos. Por mais óbvio que possa parecer, quando se tratar de rentabilidade, por exemplo, definir claramente a fórmula de cálculo e quais as receitas e custos devem ser excluídos. O estabelecimento de mecanismo de solução de disputa é aconselhável.

Determinação do valor

Sem dúvida, um dos mais difíceis aspectos na negociação de uma empresa é a definição do valor atribuído à transação, não só pela discussão das premissas do “valuation “ como pela percepção do “apetite “das partes.

Vencida essa etapa de determinação do valor, fica menos difícil estabelecer as condições de pagamento. Nesse sentido, o modelo de “earn-out” é um facilitador do processo uma vez que o comprador irá pagar a parcela vinculada a entrega futura, após a sua execução. Significa dizer que a(s) parcela(s) remanescente(s) do pagamento dependem do cumprimento das metas estabelecidas, nos prazos combinados.

Estrutura do pagamento.

Acordado o valor total da transação bem como definida a regra do modelo de gestão e relacionamento, a etapa seguinte é decidir quanto será pago a vista e quanto será pago em earn-out.
O pagamento antecipado é um componente chave porque define o comprometimento e o nível de importância que o comprador atribui a tecnologia. Quanto menor for o valor do pagamento antecipado, o risco maior é deslocado para o vendedor.

Algumas pesquisas sobre operações realizadas indicam que o valor do pagamento antecipado se situa no intervalo de de 30% a 70% do total da transação.
Quanto mais madura é a empresa maior é a participação do pagamento à vista. Como também o montante do Backlog (corresponde ao valor total do faturamento dos contratos em carteira desde que sejam cumpridos na forma contratada. No cálculo do Backlog, levam-se em consideração o cronograma de implementação dos projetos, histórico de demanda, maturação dos contratos e as fases de entrega).

Em relação ao prazo de pagamento postecipado, cujos valores são definidos a partir de metodologia adequada, considera pagamentos anuais, se o acordo prevê prazo de desempenho superior a um ano, e efetivados após o encerramento dos períodos de apuração.

O prazo para cumprimento de metas do “earn-out“ costuma variar muito e depende dos objetivos a serem alcançados. Tipicamente um “earn-out“ para a compra de uma empresa de tecnologia ou de serviços varia de 1 ano a 3 anos. É raro prazos superiores. Prazos muito curtos também têm seus inconvenientes.

Para o comprador o risco de perda dos sócios-gestores bem como prazos insuficientes para integração e absorção efetiva do conhecimento (particularmente os culturais se for internacionalização) e realização dos resultados esperados.

Para o vendedor não permite incorporar ganhos adicionais, pois ignora o crescimento de mais longo prazo. Um dos aspectos mais problemáticos em relação aos períodos de apuração refere-se aos cumprimentos das metas. Nestas horas é que começam os questionamentos sobre o entendimento de critérios, se não forem muito claros.

31 dezembro 2009



16 dezembro 2009

As 10 maiores fusões em TI, em 2009.

As TOP 10 operações de fusões & aquisições realizadas em 2009 entre empresas de TI, de acordo com levantamento de Jon Brodkin, da Network World, foram:

1. Oracle-Sun: US$ 7.4 bilhões – O maior negocio na área de TI foi realizado em abril, quando a Oracle adquiriu a Sun. A aquisição, ainda em curso, foi anunciada em abril e, depois, bloqueada, pois alguns reguladores europeus sustentaram que a combinação da tecnologia da Oracle com a base de dados Open Source MySQL da Sun violaria as leis de concorrência. O acordo Oracle-Sun ainda não foi concluído, mas dará a Larry Ellison, CEO da Oracle nova munição contra a Microsoft (no mercado de base de dados) e contra grandes fornecedores de hardware como que IBM, HP e Dell.

2. Xerox-Affiliated Computer Services: US$ 6.4 bilhões – Com aquisição anunciada em setembro a Xerox ficou apta a triplicar sua cifra de negócios na área de serviços passando de US$ 3,5 bilhões para US$ 10 bilhões com a compra da ACS, especializada em BPO (Business Process Outsourcer). Combina 74.000 empregados de ACS com 54.000 da Xerox. A Xerox acredita que com a ACS poderá penetrar em novos mercados e que terá poucas sobreposições na medida em que somente 20% dos clientes são comuns a ambos os negócios.


3. Dell-Perot Systems: US$ 3.9 bilhões – Apenas alguns dias antes do movimento da Xerox, a Del anunciava a aquisição para a conmpra da Perot Systems, outra grande sociedade de serviços de computação. Dell está apostando que com a Perot irá se tornar um líder em serviços de computação, permitindo vender mais hardwares aos clientes da Perot, maioria deles na áreas de saúde s serviços governamentais.

4. Cisco-Tandberg: US$ 3.4 bilhões - Cisco importante “player” em produtos de colaboração junto à WebEx e em videoconferência no modo telepresença, formalizou a compra da Tandberg especializada em videoconferência e em produtos da infra-estrutura de rede. O uso crescente da videoconferência permitirá aumentar o tráfego da rede, propiciando novas vendas de comutadores e roteadores para a Cisco.

5. Cisco-Starent Networks: US$ 2.9 bilhões – Com compra em outubro da Staren, a Cisco incrementará a expertise em infra-estrutura móvel em vários tipos de redes sem fio, como LTE e WiMAX. Cisco já havia feito um investimento em WiMAX com a compra por US$ 330 milhões da Navini Networks em 2007. A tecnologia da Starent já foi implementada por mais de cem operadoras móveis em 45 países.


6. HP-3Com: US$ 2.7 bilhões – A HP se lança na concorrência com a Cisco em centros de computação e convergência de mercados com a compra da 3Com, fabricante de comutadores, roteadores e produtos de segurança. A operação foi anunciada em novembro. A aquisição, que enfrenta uma ação judicial da parte dos acionistas, sofre ainda de uma sobreposição ao entrar na variedade de linhas de comutadores e de equipamentos de redes sem fio.

7. EMC-Data Domain: US$ 2,1 bilhões A EMC se esforçou para adquirir a Data Domain visando o segmento de replicação. A replicação ajuda a economizar dinheiro ao reduzir as necessidades de arquivamento de dados, o que explica porque a EMC e a NetApp acreditam que esta aplicação desempenhará papel importante no mercado de armazenamento nos próximos anos. A NetApp havia proposto inicialmente o valor de US$ 1,5 bilhão para comprar a Data Domain, mas a EMC pressionou e fez o preço subir a um montante que a NetApp não pudesse mais se manter na disputa.

8. Emerson-Avocent: US$ 1,2 bilhão - A Emerson estende suas operações de computação com a adição da Avocent, que concebe software, hardware e tecnologias integradas destinadas à simplificar a gestão de centros de dados complexos. A Emerson a firma que a Avocent e as tecnologias de monitoramento são complementares aos seus próprios produtos, À gestão energética e aos sistemas de refrigeração. Assim, pode ajudar os clientes a resolver o problema crescente de ineficácia energética. A aquisição, que permitirá também aumentar a capacidade da Emerson no mercado de comutação KVM.

9. IBM-SPSS: US$ 1,2 bilhão A IBM gastou mais de US$ 1 bilhão para desenvolver sua capacidade de análise, com SPSS e suas ferramentas de análise preditiva que ajudam as empresas a explorar dados profissionais históricos e identificar as tendências futuras. A compra não é mais do que a última etapa na estratégia da IBM de reforçar sua gama de ferramentas de análise. Antes a Big Blue havia adquirido a tecnologia de descoberta de dados da Exeros e pago US$ 5 bilhões pela Cognos, especializada em Business Intelligence.

10. Ericsson - ativos wireless da Nortel Networks: US$ 1,13 bilhão A Ericsson, fabricante líder no segmento de redes, criou uma guerra de ofertas sobre os ativos sem fio da Nortel Networks, sobretudo contra a as ofertas da Nokia Siemens Networks, a MatlinPatterson e Research in Motion. Mais precisamente, a Ericsson ficou com o CDMA e a LTE o que permitirá a companhia sueca reforçar presença na América do Norte. Os clientes da Nortel na América serão de agora em diante fornecidos pela Ericsson, o que inclui Verizon Wireless, Sprint, US Cellular, Bell Canada, Leap e Telus. Por causa da compra da Nortel e de outros acordos estratégicos, a Ericsson terá 14 mil empregados e US$ 5 bilhões em receitas na América do Norte.

16 dezembro 2009



07 dezembro 2009

Anunciada a fusão do Grupo Pão de Açúcar e Casas Bahia.

O novo gigante no comércio de bens duráveis com um faturamento bruto de R$ 18,1 bilhões, contará com 1.015 lojas, 68 mil funcionários, 43 centros de distribuição e presença em 18 estados e deverá atender todas as classes sociais, de A, a mais alta, à E, a menor. Os supermercados foram excluídos dessa associação. O faturamento anualizado do Grupo Pão de Açúcar (2008) com Ponto Frio e Casas Bahia é de cerca de R$ 40 bilhões.

A expectativa é de que as sinergias entre o Grupo Pão de Açúcar e a Casas Bahia girem em torno de R$ 2 bilhões. A competitividade da nova empresa acontecerá em termos de centralização do poder de compras com os fornecedores; a integração dos centros administrativos, logísticos e de Tecnologia da Informação (TI); unificação das plataformas de e-commerce; ganhos de escala com propaganda; e potencialização dos serviços financeiros. Existem cerca de 100 lojas da Casas Bahia e do Ponto Frio que são conflitantes, em uma mesma rua ou shopping center e há a possibilidade, de quando estiveram localizadas em imóveis contíguos, de serem unificadas, adotando uma marca ou outra, conforme o público do local.

A operação vai dividir as Casas Bahia em duas subsidiárias: uma delas ficará com todos os imóveis de propriedade da empresa (estimados em R$ 2 bilhões), 75% da fabricante de móveis Bartira (que valem cerca de R$ 240 milhões), uma parcela da carteira de crédito no valor de R$ 1,067 bilhão e outros ativos não operacionais avaliados em R$ 200 milhões. Estes ativos ficarão com a família Klein. Além disso, a companhia vai transferir uma dívida de curto prazo com fornecedores, de R$ 950 milhões, para a nova empresa. Farão parte da segunda subsidiária, além deste débito, os ativos operacionais, os 25% restantes da Bartira, contratos de locação e de fornecimento de móveis. Essa empresa, chamada de Nova Casas Bahia, se juntará aos ativos de Ponto Frio e Extra Eletro para o nascimento da nova companhia.

O patrimônio da nova empresa a ser formada está avaliado em R$ 3,8 bilhões. Pão de Açúcar vai deter 51% de participação (R$ 1,93 bilhão), contra 49% das Casas Bahia (R$ 1,86 bilhão).

Esta associaçao reforça a tendência de fusões e aquisições por parte dos concorrentes. Novas fusões no varejo deverão ocorrer nos próximos meses envolvendo redes regionais. Entre os pricipais players estão a redes Lojas Americanas, Magazine Luiza, Carrefour e Walmart.

07 dezembro 2009



20 novembro 2009

Consolidação do setor de planos de saúde


Com a compra da Medial Saúde pela Amil, no mercado de planos de saúde, é dado mais um grande passo no processo de consolidação no setor. Esta aquisição foi a sexta realizada pela Amil nos últimos dois anos. Inclusive, os negócios mais relevantes do setor nos últimos cinco anos foram protagonizados pela Medial, ao comprar a Amesp, e pela Amil, ao adquirir a Amico e a Blue Life. Segundos dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), 2,7 mil companhias operavam na área de planos de saúde no começo da década. No 1º semestre/09, esse número foi reduzido para 1.723 empresas.

Após a aquisição, a participação de mercado da Amil em São Paulo passará de 7,9% para 15,1% e no Brasil irá de 6,2% para 10,1%, com um total de 4,2 milhões de beneficiários em planos de saúde e 986 mil beneficiários em planos dentais.

O preço de aquisição das ações a ser pago pela Amil aos acionistas controladores da Medial Saúde foi fixado em R$ 612 milhões. Irá ainda apresentar proposta para adquirir até a totalidade das ações da Medial de titularidade de seus demais acionistas, em igualdade de condições, inclusive preço, àquelas acordadas com os acionistas controladores da Medial Saúde. (TAG ALONG).

As operações possuem potenciais de sinergias nas áreas médico-hospitalares, despesas administrativas, marketing e comerciais.

20 novembro 2009



28 outubro 2009

Valor da empresa: apetite & “valuation”

Para a tradicional questão sobre o real valor da empresa, é oportuna a declaração do CEO da Google, Eric Schmidt, sobre o valor pago pela aquisição do You Tube.

O “valuation” para a You Tube indica um valor entre US$ 600 milhões e 700 milhões. Mas acabou pagando US$ 1,65 bilhão, cerca de três vezes mais. Segundo Eric Schmidt , a dinâmica, o preço, lembre-se, não é dado pelo julgamento ou pelo modelo financeiro ou fluxo de caixa descontado. É pelo que as pessoas desejam pagar. E nós concluímos que US$ 1,65 bilhão incluía um prêmio por movimentar-se rapidamente e ter certeza que nós participaríamos do sucesso do You Tube.

"In the deal dynamics, the price, remember, is not set by my judgment or by financial model or discounted cash flow. It's set by what people are willing to pay." -Eric Schmidt http://news.cnet.com/8301-31001_3-10360384-261.html

28 outubro 2009



27 outubro 2009

Índice Bovespa versus Índice de M&A


A recente pesquisa da Deloitte referente às operações de fusões e aquisições no mercado brasileiro, no terceiro trimestre de 2009, aponta para um cenário de retomada de investimentos e novas oportunidades de negócios.

Se compararmos os indicadores da referida pesquisa com o índice BOVESPA, (clique no quadro para ampliar) para o mesmo período, constata-se uma simetria notável entre os dois gráficos.

Os sinais de crescimento do mercado interno, aliado a estabilidade da economia, com o certificado de "grau de investimento" pelas três principais agências de risco estão sinalizando promissoras perspectivas para os próximos anos. E isto sem falar sobre os investimentos esperados com a exploração do pré-sal, Copa do Mundo e Jogos Olímpicos.

Estes sinais estão influenciando e antecipando significativamente a retomada do interesse dos investidores em consolidações empresariais. A necessidade de se ganhar musculatura mediante fusões e aquisições em muitos setores ainda pulverizados, é uma das mais rápidas forma de tornarem competitivos globalmente.

27 outubro 2009



29 setembro 2009

O pior já passou.

Notícias envolvendo fusões e aquisições deram novo impulso para as bolsas americanas, européias e brasileira.

Nas últimas semanas, vários analistas da área de fusões e aquisições do setor de tecnologia, vem percebendo uma mudança no estado de espírito do mercado. As companhias de tecnologia estão acelerando a realização de negócios depois de um ano tranquilo. A Xerox anunciou a compra da Affiliated Computer Services por 6,4 bilhões de dólares, gerando expectativas de uma nova onda de fusões e aquisições, depois de estas operações terem crescido ao ritmo mais lento dos últimos anos.

O aumento dos negócios é sinal de uma mudança mais ampla: a tomada de riscos está voltando ao setor tecnológico. Toda essa atividade está sendo conduzida por uma idéia central: o pior da recessão já passou e é hora de se preparar para tempos melhores. Especialistas afirmam que muitas companhias adiaram os investimentos em tecnologia durante a recessão e agora deverão acelerar as aplicações para gerar ganhos de produtividade vitais para os lucros. De acordo com algumas projeções, os investimentos do setor tecnológico nos Estados Unidos vão aumentar significativamente nos próximos anos, depois de uma queda de 10% prevista para 2009. Estão no ponto de virada para o setor de tecnologia. Se isso for verdade, é um bom presságio para a economia como um todo.

Segundo alguns analistas muitos outros setores importantes da economia, incluindo o financeiro e o imobiliário, continuam com problemas e que o mercado de tecnologia é um dos poucos que pode sustentar a recuperação dos EUA. Além disso, como os gastos do consumidor deverão permanecer fracos, o crescimento econômico vai depender dos investimentos das companhias e das exportações, duas áreas conduzidas pela tecnologia.

Banqueiros, investidores e executivos do setor de tecnologia afirmam que é quase certo que mais negócios vêm por aí. Muitas companhias do setor contam com balanços fortes e caixa para financiar aquisições. Os mercados de crédito estão melhorando, o que deverá lubrificar o fluxo de negócios.

E mais importante: compradores e vendedores estão tendo mais facilidade para acertar os preços. Hoje, os compradores querem fechar negócios antes que os preços dos ativos subam ainda mais. Agora que as avaliações voltaram um pouco, as percepções de valor dos compradores e vendedores estão um pouco mais alinhadas. Analistas apontam para outros segmentos além do setor de tecnologia, que parecem maduros para fusões e aquisições. As companhias de tecnologia estão realmente em busca de negócios. Há muita demanda reprimida.
O recente otimismo começa a se espalhar para outros segmentos da economia. Lentamente, mas com confiança, isso vai se espalhar pela economia.

No Brasil os negócios em TI agregam um viés adicional ao seu crescimento, por conta do desdobramento das exigências legais do SPED contábil, fiscal e nota fiscal eletrônica, aquecendo mais ainda a demanda por estes serviços.

29 setembro 2009



17 setembro 2009

2009 - ano da consolidação do setor de proteína animal.


Em 2009 será marcado como o ano da consolidação o setor industrial de proteína animal no Brasil. E três fusões serão os símbolos desse processo: JBS & Bertin, Sadia & Perdigão e Marfrig & Seara.

JBS se tornou a maior empresa de processamento de proteína animal do mundo a partir do anúncio, em set/09, de sua associação com a Bertin e a aquisição da Pilgrim's Pride nos Estados Unidos. A Bertin conta com 38 unidades produtivas no Brasil e no exterior e capacidade de abate de 16,5 mil cabeças/dia, atuando em mais de 110 países. A empresa JBS comprou também 64% da Pilgrim's Pride por 2,8 bilhões de dólares, com isso a empresa brasileira entra no setor de carne de frango, adquirindo uma das maiores companhias norte-americanas do segmento avícola, com capacidade instalada de processar cerca de 4,1 milhões de toneladas de frango por ano. A Pilgrim's Pride possui 33 unidades de processamento nos EUA, três de processamento no México e uma em Porto Rico. Após o anúncio a JBS passa a acumular uma receita líquida de US$ 26,7 bilhões, 2,4 vezes maior do que da BRF, que uniu num mesmo grupo Sadia e Perdigão.

E em maio/09, foi anunciada a fusão entre Sadia e Perdigão criando uma das maiores empresas de alimentos das Américas, sob o de nome Brasil Foods. O faturamento anual consolidado das duas companhias é de R$ 22 bilhões. Em 2008, somados, os abates de bovinos e suínos de Sadia e Perdigão chegava a 39,3 mil cabeças por dia.
O Marfrig em set/09 compra a Seara por 900 milhões de dólares. O aumento da capacidade do Marfrig, atualmente tem 59 plantas de produção distribuídas em nove países, com a operação chega a 70% no processamento diário de aves e a mais de 135% no de suínos. Após a integração da produção, o frigorífico será capaz de processar diariamente mais de 21.000 cabeças de bovinos, cerca de 2,9 milhões de aves e aproximadamente 10.400 cabeças de suínos. O negócio com a Seara envolve as áreas de aves, suínos e produtos industrializados, que tem faturamento líquido anual de US$ 1,7 bilhão. Já o guidance da Marfrig para 2009, projeta uma receita liquida em torno de R$ 11,0 bilhões.

17 setembro 2009



05 setembro 2009

Os vetores dos novos tempos

Estamos no limiar de um novo tempo para cenário econômico brasileiro. Tempo de um Brasil competitivo e moderno em termos de gestão.

Vem se juntar às principais ondas de gestão na história recente do país, como a implantação do Plano Real e o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB). Ambos com profundas mudanças na cultura empresarial e com dramáticas conseqüências para muitos que não conseguiram compreender a tempo as novas mudanças.

Trata-se do SPED – Sistema Público de Escrituração Digital, pelo qual todos os compromissos das empresas com o Fisco serão feitos de forma eletrônica. E entre seus principais componentes estão a Escrituração Contábil Digital (ECD), como substituição dos antigos livros de escrituração mercantil, por seus equivalentes digitais transmitidos eletronicamente; e a mais conhecida, a Nota Fiscal Eletrônica (NFE), que foi o primeiro subproduto do SPED a ser implantado. Entrarão em vigor também a Nota Fiscal de Serviços Eletrônica (NFS-E), o Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-E) e a Central de Balanços.

Em resumo, os Governos terão como saber nos mínimos detalhes absolutamente tudo o que acontece em cada empresa, pois estas informações serão compartilhadas pela União, Estado e Municípios. Vale lembrar, por oportuno, que ao SPED se junta à DIMOF (Demonstrativo e Informações das Movimentações Financeiras), que é uma série de dados sobre o movimento financeiro da empresa que os bancos são obrigados a fornecer ao Fisco.

Este conjunto inovador de melhorias de ordem tributária será o vetor determinante da primeira camada de quebras de paradigmas em toda a economia brasileira. Trará melhorias de processos, especialmente para as pequenas e médias, reduzindo as fraudes, maracutais e o “jeitinho”, além de criar melhores condições de o fisco acompanhar as informações tributárias.

E isso tudo em alta velocidade. Por conseqüência, muitas empresas que não conseguirem se adaptar a este novo cenário, ou mesmo demorarem para entender as consequências estarão fadadas ao encerramento de suas atividades.

Segundo algumas estimativas, considerando as adesões obrigatórias e voluntárias, aproximadamente 100 mil empresas estarão fazendo parte do SPED ainda 2009.

Sobe para cerca de 300 mil companhias em 2010.

Este número poderá alcançar a 1,5 milhão em 2011.

E até 2014, a expectativa é de que mais de três milhões de empresas serão obrigadas a aderir ao SPED.

As mudanças não são somente em relação à sonegação, cultura e segurança do papel, retrabalho e correção de erros, transparência, etc., mas sobretudo para o Brasil moderno, ágil e competitivo. E é um grande passo para se criar as bases para a redução de carga tributária decorrente do círculo virtuoso de uma maior base de contribuintes, com menos sonegação e mais arrecadação, possibilitando menor carga tributária e mais contribuintes.

Muitas empresas, em todos os setores da economia, serão compulsoriamente levadas a buscar a maior competitividade devido à diminuição da concorrência desleal por conta da sonegação (que por sua vez decorre também da elevada carga tributária), e estarão se reestruturando para a utilização rapidamente de novos conceitos e ferramentas tecnológicas.

Na sequência vêm as demais transformações.

No topo da pirâmide está o IRFS International Financial Reporting Standards para as grandes - e depois às médias - estima-se em cerca de 500 empresas enquadradas. No caso do IRFS será a sofisticação do sistema em termos de governança, transparência, consistência, risco, gestão, etc, que servirá de benchmark para todos os demais (a aderência ocorre na cadeia produtiva por parte de exigência dos grandes, tal qual já em acontecendo com o ISO 9000 , ISO 14000). A propósito, em julho de 2009, o Comitê de Normas Internacionais de Contabilidade (IASB) emitiu princípios do IFRS específicos para pequenas e médias companhias. A partir de agora, adotar o padrão internacional de contabilidade IFRS não precisa mais ser coisa só para os grandes. Lembro, que no Brasil, a adoção do IFRS integral é obrigatória, Lei 11.638, de dez/2007, para as companhias abertas e também para as fechadas de grande porte. Elas deverão apresentar seus balanços consolidados de acordo com o padrão internacional.

Em seguida vêm as demais camadas e, em todas, teremos a tecnologia da informação permeando todos os segmentos e processos, sobressaindo-se as demandas relacionadas com:

  • ERP - sistema de informação que integra todos os dados e processos de uma organização em um único sistema: finanças, contabilidade, recursos humanos, fabricação, marketing, vendas, compras, etc
  • SAAS - Software como um Serviço/ cloud computing – compartilhamento de ferramentas computacionais pela interligação dos sistemas, semelhantes as nuvens no céu, ao invés de ter essas ferramentas localmente (mesmo nos servidores internos)
  • Datacenter/web hosting/segurança;
  • Relacionamentos eletrônicos entre empresas (B2B);
  • Plataforma de pagamentos on-line, serviços de meios de pagamento B2B e B2C via celular, integração entre loja virtual e as instituições financeiras;
  • Business Inteligence- BI;
  • Logística operacional – frete, seguro, armazenagem, que estão umbilicalmente vinculados a nota fiscal eletrônica. Monitoramento do trânsito de mercadorias no país por intermédio de RFID - tecnologia de Identificação por Radiofreqüência e de comunicação sem-fio – garantindo a operacionalidade em toda a cadeia produtiva.
  • Aperfeiçoamento dos processos internos e ferramentas de gestão para pequenas e médias apreendendo novas tecnologias em sistemas de gestão;
  • GED Gerenciamento eletrônico de documentos – digitalização/gestão docs;
  • Ferramentas para pequena e micro empresas disponibilizados por portais, facilitando sua interatividade na cadeia produtiva com novas tecnologias para o aperfeiçoamento dos seus processos e ferramentas de gestão, etc. Vale lembrar a recente lei do microempreemprendedor individual que se propõe retirar da informalidade, em um ano, cerca de 1,1 milhão de pessoas.
  • Desdobramento do TISS (Troca de Informação em Saúde Suplementar) estabelecido Agência Nacional de Saúde ANS no setor de saúde: operadoras de saúde e prestadores de serviços médicos e odontológicos – cuja evolução tende para a adoção do sistema de informação para Registro Eletrônico de Saúde, que armazena e gerencia todas as informações de saúde de cada beneficiário;
  • E uma infinidade de novas demandas, que ainda não foram estruturadas, mas surgirão com a segunda onda, após o Sped ter permeado e inter-relacionado todos os segmentos econômicos, que deverá ocorrer nos próximos 2 ou 3 anos.

E todas estas demandas estarão influenciando fortemente novos investimentos no mercado de TI e, sobretudo, estimulando o movimento de novas fusões e aquisições em todos os segmentos e portes do setor.

05 setembro 2009



04 setembro 2009

10 principais riscos globais

Nenhuma companhia, indústria ou país está imune ao atual período de agitação econômica. Danos à reputação impactam a percepção do público quanto à qualidade, integridade e intenção de uma organização, influencia a decisão de um parceiro ou cliente em negociar com uma firma e pode afetar a decisão de um governo ou regulador em autorizar as ações de determinada companhia.

Estas afirmações foram detectadas no Estudo Global de Gerenciamento de Riscos, realizado pela Aon Risk Services, que captura as perspectivas dos profissionais líderes de risco.“O principal risco apontado pelos tomadores de decisão que participaram da pesquisa é sem dúvida a recessão econômica. Esse risco impacta diretamente todos os outros citados no estudo”, destacou Matthew Horwitch, COO da Aon Corporation. “O grande desafio das corporações atualmente é fazer mais com menos. Os riscos deixaram de ser uma preocupação exclusiva dos departamentos de gerenciamento de riscos, mas sim de toda a empresa, com envolvimento direto de conselhos e diretoria. Estamos em uma época difícil, porém é, sem dúvida, o melhor momento para entender os riscos de negócios e tratá-los de forma pró-ativa. Esse será o diferencial das organizações que irão irão liderar a saída da atual recessão econômica”, completa.

Veja quais são os 10 principais riscos globais identificados na pesquisa:

1 - Recessão econômica
2 - Mudanças regulatórias/legislativas
3 - Interrupção dos negócios
4 - Aumento da competição
5 - Risco no preço das commodities
6 - Danos à reputação
7 - Fluxo de caixa/risco de liquidez
8 - Falha na distribuição ou na cadeia de suprimentos
9 - Confiabilidade de terceiros
10 - Falha em atrair ou manter talentos

04 setembro 2009



Economia global voltará a crescer no 1º semestre de 2010

Em recente estudo com 500 dirigentes de empresas de 45 países realizado pela Cook International, mostra que, na opinião dos gestores, a economia global voltará a crescer com mais força no primeiro semestre de 2010. A Ásia, porém, será a grande responsável por isso, seguida de América do Norte e Europa.

Tecnologia e bens de consumo são os setores mais cotados na opinião dos CEOs para liderar essa retomada. Os investimentos em tecnologia não pararam, especialmente na parte de infraestrutura. Na verdade, eles até aumentaram na crise, pois a tecnologia ajuda as empresas a conseguirem soluções mais eficientes e com menos custo. Além disso, os países emergentes têm um grande mercado na área, com uma classe consumidora de poder aquisitivo maior do que no passado.


Quando a retomada ganhar força, os CEOs entrevistados já sabem onde acontecerá o maior número de contratações: nas áreas de inovação e vendas. De acordo com a especialista, esse é um movimento típico pós-crise. Na turbulência, a preocupação dos gestores se volta para funções financeiras com corte de custos e maior controle do orçamento. Depois, o foco passa a ser a área comercial, pois é o momento de a empresa voltar a crescer. Isso só se torna possível quando ela lança produtos e aumenta as vendas.



05 agosto 2009

Fusões no mercado de tecnologia vão se acelerar.

O negócio entre Sun e Oracle, anunciado em abril, e o avanço da IBM sobre o mercado de Business Intelligence (BI), com a recente compra da fabricante de software SPSS, somada à aquisição, em 2008, da desenvolvedora Cognos, são o início de uma onda de fusões que deve prosseguir no mercado de tecnologia da informação (TI). A análise é do sócio e responsável mundial pela área de TI da consultoria Everis, Manuel Carlos Alcoba González.

Para o executivo, a consolidação do número de fornecedores de tecnologia ficará ainda mais intensa nos próximos anos. Um dos motivos, explica, é a crise econômica mundial – que derruba preços de empresas e se mostra como oportunidade para a realização de negócios.
Um segundo aspecto indicado por Gonzáles é a própria demanda dos clientes, que preferem e buscam por soluções integradas e mais complexas. “Eles procuram produtos bons e maduros, e não mais aqueles que têm potencial”, afirma.

05 agosto 2009



27 junho 2009

Acabaram as fusões no mercado de ERP?

Resposta fácil: está longe de acabar.

O mercado brasileiro de ERP está sinalizando, de maneira forte, movimentos entre os players em todas as três camadas de mercado, small, middle e corporativo. Até o final de 2009, poderemos ter mudanças surpreendentes da base ao topo da pirâmide - uma verdadeira dança das cadeiras.

O motivo é um movimento inexorável de consolidação típico do amadurecimento de mercado e catalisado pela crise econômica. Nossa curiosidade e espanto decorrem do fato de ser o primeiro segmento de TI a entrar na rota de amadurecimento.

O mercado, que era altamente pulverizado, conta, agora, com grandes players como a Totvs, com 39% de mercado, segundo a FGV, SAP com 23% e Oracle com 18%. Essas três empresas totalizam 80% do mercado. A Totvs é a nona maior empresa de ERP do mundo.A crise financeira internacional reduziu, de maneira significativa, o crédito com aumento das garantias e exigências, levando a um desaquecimento da economia em todos os segmentos. As empresas tiveram que buscar maior eficiência e controle e redução de custos para serem mais competitivas, e ao mesmo tempo, maiores exigências de segurança, confiabilidade e fidelização.

O "IDC Predictions 2009" destaca que o crescimento dos gastos com TI em países emergentes sofrerá efeitos da crise, mas ainda se manterá três vezes maior que a média do mercado mundial. Previsão semelhante é feita ao segmento de pequenas e médias empresas (SMB), que desacelerará menos que a média de mercado e deverá representar um crescimento 1,4 vezes acima da média do mercado geral. Segundo o relatório, esse comportamento das SMB é explicado pelo fato da compra ser feita, geralmente, em caso de absoluta necessidade e pelo fato de que essas empresas não apresentam saldos remanescentes de projetos anteriores de TI a pagar.

No estudo intitulado "Worldwide SMB 2009 Top 10 Predictions" o IDC destaca que as pequenas e médias empresas latino-americanas têm mostrado notável resiliência aos efeitos da recessão mundial, com crescimento de dois dígitos nos gastos com TI em 2008 (10%).

Esses fatos tornam o mercado de venda de ERP um local atrativo para investimentos e novamente a consolidação setorial tomará velocidade. Deveremos assistir a um interessante movimento de novas fusões e aquisições nas três camadas do setor.

Fusões entre as grandes empresas do segmento por conta do acirramento da concorrência, incluindo as multinacionais que atuam aqui, como também das empresas brasileiras de TI de grande porte que estavam se preparando para a abertura de capital e que, por ora, adiaram os planos.

Fusões entre as empresas de porte médio, algumas, inclusive, já divulgaram pela imprensa no início do ano, suas estratégias de aquisições, seja para comprar market share, seja ampliação da oferta para todas verticais. E, por final, fusões na base da pirâmide. As micro e pequenas empresas também serão afetadas, por conta do processo que irá refletir junto a todos os integrantes do ecossistema de TI.

A briga vai ser mais intensa, mas com grandes oportunidades. Briga intensa em relação à concorrência dos grandes competindo ferrenhamente no seu nicho de SMB, usando a tecnologia e SaaS para gerar produtos "especializados" e com preços cada vez mais agressivos. Oportunidades pela conquista de novos clientes que estarão migrando dos grandes integradores de TI, buscando redução de custos e pela demanda gerada por nichos como Sped (Sistema Público de Escrituração Digital) e nota fiscal eletrônica (NF-e). As empresas menores de ERP ganharam, nos últimos anos, conhecimentos para oferecer produtos e serviços de qualidade, competindo com as empresas maiores.

SaaS será uma importante tendência para os próximos anos. É uma bela evolução tecnológica, tirando a complexidade da instalação e manutenção do produto. SaaS é, também, uma excelente forma de negociação com grandes vantagens financeiras para o cliente permitindo que a compra esteja ajustada ao fluxo de caixa e que seja encarada como despesa.

Mas, mais importante do que isso, SaaS transforma o produto em infraestrutura de TI. É como apertar um simples interruptor e acender a luz, ou como ligar um notebook wireless e estar conectado à Internet.

E entre os vetores que contribuirão de forma decisiva para quebrar paradigmas históricos de desconfiança para sua aceitação estão à disseminação compulsória e gradativa da NF eletrônica e do Sped.
Com isso, o cliente terá tempo para olhar para o que realmente importa: o seu negócio. Ele poderá utilizar a tecnologia para aumentar suas vendas e sua lucratividade, aumentar a qualidade de seus produtos e diminuir o tempo de resposta ao mercado. Finalmente, ele poderá utilizar a tecnologia de "maneira inteligente" e ganhar diferencial competitivo. SaaS não é uma questão de tecnologia. É uma questão de diferencial competitivo para os negócios. E com a crise econômica batendo na nossa porta, SaaS passa a ser um critério de sobrevivência.

A comprovação das mudanças surge nos excelentes resultados das empresas de ERP e, em especial, da Totvs que no primeiro trimestre de 2009 atingiu um novo recorde de Ebitda (26,2%) e um crescimento de 54,3% sobre o mesmo trimestre do ano anterior. A Totvs atingiu, também, recorde de clientes atendidos contabilizando mais de 23.300 clientes ativos.

Como resultado de todas essas variáveis interagindo simultaneamente, provavelmente assistiremos a um grande movimento de consolidação, não só entre as do topo da pirâmide, como também possibilitando que outras também se tornem consolidadoras.

Algumas empresas de faturamento de R$ 50 milhões podem vir a alcançar 100 milhões e, por sua vez, as de pequeno porte, de R$ 5 milhões venham consolidar-se para um novo patamar superior a R$ 10/15 milhões.


Artigo escrito por Dagoberto Hajjar e Ruy Moura e publicado em 25/06/2009, na Newsletter da ResellerWeb
http://www.resellerweb.com.br/noticias/index.asp?cod=58588&utm_source=newsletter_20090625&utm_medium=email&utm_content=Acabaram%20as%20fusões%20no%20mercado%20de%20ERP?&utm_campaign=ResellerWebNewsletter

27 junho 2009



07 maio 2009

Crise estimula fusões na indústria automobilística

Com as dificuldades enfrentadas pelas montadoras por conta da crise, a indústria automotiva está se reestruturando rapidamente no mundo por meio de fusões e aquisições.

Após negociações entre a Chrysler e a Fiat e entre esta e a Opel, agora foi a vez de Volkswagen e Porsche anunciarem planos de fusão, em um negócio que aliviaria o endividamento da fabricante de carros esporte e poria fim à saga de mais de três anos quanto à tomada de controle acionário da maior montadora da Europa.

GM está em negociação com a Renault para passar sua marca Saturn para o controle da montadora francesa, interessada em expandir sua atuação nos EUA, segundo o "Wall Street Journal".

Ao mesmo tempo, a montadora chinesa Geely pretende adquirir a Saab, outra marca da GM, que está sob pressão para se desfazer de parte dos ativos. Outros grupos também manifestaram interesse pela Saturn. Mas o eventual comprador não injetaria capital no negócio, apenas se responsabilizaria pelos custos da operação.Ao praticamente doar a Saturn, a GM evitaria desgaste com os concessionários. Já a Saab conta com três ou quatro interessados, incluindo a Geely.

07 maio 2009



Aquisições agitam setor supermercadista

O comércio varejista apresenta sinais de reaquecimento. O setor supermercadista indica também a retomada do período de aquisições, que em 2007 viu uma enxurrada de empresas serem compradas, como o Atacadão, a GBarbosa e o Assai.

Agora, com a entrada do gigante Carrefour na disputa pela rede Gimenes S.A. juntamente com a paulista Ricoy Supermercados, é vivida uma queda-de-braço entre as redes para manter a liderança no mercado. Outro exemplo deste cenário seria o interesse da chilena Cencosud em vender a operação da sergipana GBarbosa, para concentrar esforços em seu país, depois da entrada do Wal-Mart naquele mercado, segundo noticias divulgadas. O Grupo Pão de Açúcar (GPA), que perdeu a liderança do setor há dois anos, poderia ser um dos interessados.



Nobel da Economia acredita que a recuperação econômica já começa no 2º sem/09.

De acordo com Robert Mundell, Nobel de Economia em 1999, em sua recente entrevista a respeito de previsões sobre o futuro econômico mundial: EUA e China devem ser os primeiros a sair da crise internacional - e uma melhora não demora tanto a aparecer.

Segundo ele, há basicamente duas correntes de pensamento a respeito do prazo de recuperação: os que acham que a crise vai durar um bom tempo - de dois a três anos, ou até mais - e os que acreditam numa recuperação mais rápida. Ele se inclui no lado otimista. Acredita que os EUA vão sair da recessão já por volta da metade do ano, começando a se expandir e isso marcará o começo da recuperação. Os primeiros países a mostrarem sinais visíveis de recuperação serão os EUA e a China - e é preciso levar em conta que a China nem se encontra em recessão. Depois será a vez das economias européias, pois elas estão numa situação mais difícil do que os EUA.

Afirma ainda que um bom indício será a queda nos estoques de moradias e de automóveis os EUA. Esses dois setores são críticos para o país. Enquanto esses estoques se mantiverem muito altos, não haverá novas encomendas, por duas razões: as pessoas continuam temerosas de comprar e de perder o emprego e elas também esperam que os preços continuem caindo. Outro grande indicador da recuperação será o retorno da confiança, dado pela valorização das bolsas de valores e pela concessão de novos empréstimos pelos bancos.

Merece especial destaque ocomentário que fez a respeito do crescimento chinês, sobre sua capacidade de estimular o crescimento em outras economias. “Creio que não, porque a economia chinesa é da ordem de 4 trilhões de dólares, um pouco menor do que a japonesa. Já a economia americana é da ordem de 14 trilhões de dólares. E a zona do Euro é da ordem de 12 trilhões de dólares. Logo, uma economia do tamanho da chinesa é importante, mas ela não será capaz de compensar uma desaceleração de escala global”.



Razões para comprar empresas. Desafios em tempo de mudanças.

Em 2008, já vivenciando as incertezas e volatilidades da crise financeira internacional, foi feita uma pesquisa pela CFO Publishing junto a executivos globais sobre as principais razões das operações de M&A que tinham participado recentemente.
Os motivos estão relacionados por ordem de mais votados.

1 - Agregar produtos e/ou serviços complementares
2 - Acesso a mercados internacionais
3 - Acesso a mercados domésticos
4 - Ganhos de economias de escala e de escopo
5 - Ganhos de market-share
6 - Aquisição de novas tecnologias ou processos operacionais
7 - Incorporação de talentos
8 - Acesso a fornecedores
9 - Diversificação de linhas de negócios
10- Aquisição de canais de distribuição
11- Aquisição de marcas/imagem/visibilidade
12- Alavancagem de cross-selling
13-Vantagens tributárias/benefícios fiscais
14- Integração vertical na cadeia de valor, produção/distribuição
15- Reação a movimentos da concorrência.

Decorridos o primeiro quadrimestre 2009 e por conta das operações anunciadas e/ou em andamento, caberia incluir mais dois itens como relevantes: consolidação setorial e operações oportunistas.



Sinais de retomada

Nos primeiros meses de 2009, as operações de M&A foram reduzidas significativamente em função de instabilidade do mercado por conta da crise financeira internacional.

Muitas negociações em fase adiantada no final de 2008 foram abortadas diante das incertezas, sobretudo às relacionadas com projeções sobre o volume de vendas ou fidelidade dos clientes.

Com as expectativas positivas dos indicadores econômicos sinalizando que o pior já passou, sinais mesmo que tímidos de retomada nos negócios já são sentidos no mercado.

É esperado que o ritmo de negócios de M&A se intensifique a partir do segundo semestre de 2009. Seja por conta de consolidações setoriais, aproveitamento de oportunidades ou mesmo a alternativa de crescimento via aquisições para manter taxa de crescimento ou market-share. Ou outras tantas razões que a análise de múltiplos cenários, do conservador ao oportunista, recomenda.



27 abril 2009

Diferença de percepção entre vendedores e compradores

Interessante entrevista do David Rubenstein, fundador do Carlyle maior fundo de private equity do mundo, a revista Exame. Em relação a duração da crise, afirma que a recessão americana vai acabar no fim de 2009 ou início de 2010. Já a recessão na Europa deve durar de seis a nove meses mais que nos Estados Unidos, e eles terão mais dificuldades para sair dela, já que não têm a mesma capacidade que os Estados Unidos têm de emitir dívida.
Ressalta que haverá muitas cicatrizes. “Mesmo depois que essa crise passar, seus impactos levarão de cinco a dez anos para ir embora. Países e empresas ficarão muito menos dispostos a arriscar, as economias serão menos endividadas, a inflação e os impostos vão aumentar. Finalmente, o protecionismo vai crescer”.

Em relação às operações de M&A, comenta que os preços ainda estão muito altos, ressaltando que não houve muitas aquisições por fundos de private equity em nenhuma parte do mundo nos últimos meses. Há uma enorme diferença de percepção entre vendedores e compradores. Os vendedores esperam que a economia se recupere mais rápido e cobram mais por seu negócio. Já os compradores temem que a recessão se aprofunde e, assim, a empresa comprada se desvalorize.
Quanto às oportunidades de aquisição atualmente destaca que alguns mercados ao redor do mundo estão particularmente atraentes, e o Brasil é, para ele, o número 1 entre os países emergentes. Tanto o Brasil como a China são os mais importantes mercados emergentes hoje. O Brasil está melhor que a maioria das outras economias. Alguns países desabaram, como a Rússia. “Isso não aconteceu aqui, o que vai atrair nossos concorrentes para o Brasil. Não acho que eles terão fundos dedicados exclusivamente ao Brasil, já que não é esse seu estilo, mas certamente eles disputarão aquisições conosco.”

27 abril 2009



21 abril 2009

O tempo é tudo em M&A.

Assistimos neste mês uma disputa histórica entre gigantes em uma operação de M&A.
Nos primeiros dias de abril, a proposta da IBM para aquisição de SUN, por US$ 6,5 milhões foi rejeitada. Havia, contudo, expectativas de retomada dos entendimentos.

Cerca de duas semanas depois, enquanto o mercado ainda discutia sobre os possíveis destinos da SUN, foi surpreendido, com o anúncio da proposta de aquisição pela ORACLE, e aceita pela SUN, no montante de US$ 7,38 bilhões.

É sabido os movimentos agressivos da ORACLE de Compradora serial - adquiriu mais de 50 empresas desde 2005, sendo que 24 companhias foram compradas nos últimos 28 meses. Agora junta-se mais este, velocidade no processo decisório.

A Oracle faturou US$ 22,4 bilhões no ano fiscal de 2008, com lucro de US$ 5,5 bilhões. Possui 85 mil funcionários e cerca de 320 mil clientes.
A Sun e faturou US$ 13,8 bilhões em 2008, com lucro de apenas US$ 403 milhões e 33,5 mil funcionários.

21 abril 2009



17 abril 2009

O jogo: IBM & SUN e MICROSOFT & YAHOO!

As tentativas da IBM para comprar a Sun Microsystems tornaram-se o romance empresarial mais conturbado dos últimos tempos no setor de tecnologia da informação (TI), marcado por idas e vindas de ambos os lados, como convém a uma história de amor. Há duas semanas o conselho de administração da Sun rompeu as negociações alegando um preço baixo demais. Ontem, porém, o quadro se inverteu. A TV americana CNBC noticiou de que a IBM teria desistido do negócio, preocupada com os possíveis problemas que poderia enfrentar com as autoridades regulatórias. Divulgou, ainda, que a Sun sugeriu à IBM, no início da semana, retornar à mesa de negociações, numa indicação de que seu conselho estaria mais flexível em relação ao valor da oferta.

A IBM, no entanto, já teria descartado o negócio, depois que contatos na União Européia e na SEC americana. A Sun estaria disposta a qualquer coisa para retomar as negociações se a IBM fizer um compromisso mais forte de ir adiante com a compra, de acordo com informações repassadas à Bloomberg. As negociações estariam paralisadas e cada uma das companhias esperando pelo movimento da outra.

Por sua vez, namoro entre a Microsoft e Yahoo! teve mais um round.

Foi anunciado esta semana a retomada das conversas entre a duas empresas sobre uma possível aliança para publicidade na internet. Esta retomada ocorre após o fracasso no ano passado da oferta hostil da Microsoft sobre a Yahoo! no valor de US$ 47,5 bilhões. Em março/09, durante uma conferência de empresas de mídia e tecnologia em Nova York, Steve Ballmer, CEO da Microsoft, expressou novamente seu interesse em adquirir parte do Yahoo!. Disse que um acordo com o portal de internet ajudaria sua companhia a expandir a base de usuários do seu mecanismo de buscas online.

17 abril 2009



Consolidação no mercado de refeições coletivas

O mercado de refeições coletivas vive dias agitados. Ontem, a Gran Sapore, uma das maiores do setor no país, comprou o controle da gaúcha BQ Benefícios, administradora de vales-refeição e alimentação com 3 mil clientes e cerca de 150 mil usuários, principalmente na região Sul. Na semana que vem, a paulista Nutrin vai anunciar a aquisição de uma concorrente de menor porte, de Minas Gerais e dentro de duas semanas, a líder de mercado GRSA deve divulgar a compra de uma empresa de refeições da região Sudeste, com faturamento anual de R$ 60 milhões.

Os negócios fazem parte de um movimento de aquisições esperado. No ano passado, GRSA e Nutrin já afirmavam que comprar concorrentes fazia parte de suas estratégias de expansão.

Com cerca de 900 empresas em operação no país, segundo cálculos da Aberc (associação do setor), o mercado de refeições coletivas tende à consolidação. Mais de 80% do faturamento anual do setor, de R$ 9,5 bilhões, está nas mãos de 100 companhias. A maior delas, a GRSA, que pertence ao grupo inglês Compass lidera com 17% de participação. Em seguida vem Gran Sapore, com faturamento de R$ 900 milhões, Puras (R$ 767 milhões) e Sodexo (R$ 730 milhões).

"As compras aceleram o crescimento e abreviam o 'pay back' ao acionista", diz o diretor-geral da GRSA, Paulo Pires. É uma maneira de aumentar vendas e diluir custos fixos. A companhia pretende crescer 15% no ano fiscal que se encerra em 30 de setembro.

É o mesmo raciocínio que pauta a estratégia da Nutrin, que faturou R$ 115 milhões em 2008 e pretende crescer 18% neste ano, apesar do cenário econômico de desaceleração. Nenhuma das duas companhias revela o nome das empresas que estão sendo adquiridas. As compras concluídas agora já vinham sendo negociadas há vários meses e foram iniciadas antes do agravamento da crise financeira mundial, em setembro.

Mas é praticamente consenso no mercado que, com o novo contexto, esse movimento deve se intensificar. "Há uma tendência de consolidação que deve ser acelerada", diz o presidente da Gran Sapore, Daniel Mendez.

Com todas as empresas preocupadas em reduzir custos e renegociar contratos, a competitividade entre prestadores de serviços, como os fornecedores de refeições corporativas, ficou mais acirrada. E nem todos têm condições de reduzir o preço cobrado dos clientes sem que sua saúde financeira seja fatalmente afetada. Além disso, as demissões, férias coletivas e licenças remuneradas nas indústrias - que respondem por 65% da receita do setor - têm provocado queda nos faturamentos. Some-se a isso o aperto no crédito e é fácil concluir porque muitas companhias têm batido à porta das grandes do setor. "Nesse momento, a saída para muitas empresas é buscar parcerias, fusões ou mesmo a venda do negócio", diz Rogério da Costa Vieira, vice-presidente da Associação Brasileira das Empresas de Refeições Coletivas (Aberc).

De outro lado, a crise acabou adiando alguns negócios. Além da empresa de refeições do Sudeste, está nos planos da GRSA desde o início do ano passado a aquisição de uma fornecedora de serviços corporativos de apoio (como jardinagem, recepção, limpeza e manutenção predial), para crescer nesse segmento, em que sua atuação hoje é pequena.

A aquisição da Sapore tem o objetivo de avançar em um segmento novo mais rapidamente, inclusive criou em agosto a Sapore Benefícios, para entrar na área de cartões-alimentação. A previsão inicial era investir R$ 35 milhões em dois anos na operação. Com a compra, esse investimento - redimensionado para R$ 30 milhões - será feito em um ano. A BQ será absorvida pela Sapore Benefícios. No ano passado, a BQ faturou R$ 250 milhões. Com ela, a Sapore pretende atingir R$ 1,5 bilhão em 2009.



15 abril 2009

Onda de consolidação no setor de TI

O mercado de TI irá passar por uma nova onda de consolidação, as quais devem incluir fusões e aquisições entre empresas, em particular entre as grandes.

A noticia publicada nesta semana, refere-se a avaliação do vice-presidente de pesquisas do Gartner, que acredita que a crise mundial forçará uma nova onda de negociações entre as empresas, principalmente em decorrência da dificuldade de manterem a rentabilidade e da desvalorização dos ativos no mercado. Segundo ele, teremos ao longo desse ano diversos negócios envolvendo empresas de TI, até de empresas que atualmente concorrem entre si. O mercado deverá assistir a negociações entre companhias de grande porte.

Voltando agora para análise do cenário brasileiro, deveremos ter fenômeno parecido, sobretudo no “middle-market”. E as negociações deverão se intensificar no segundo semestre de 2009, possivelmente repetindo o equivalente número de operações ocorridas no mesmo período de 2008. O primeiro trimestre de 2009 foi bastante modesto, pelo menos em relação às operações divulgadas pela imprensa, o que revela o clima de cautela.

15 abril 2009



07 abril 2009

Aquisições em tempo de crise têm melhores resultados

Recente estudo divulgado pelo Boston Consulting Group, analisou cerca de 408 mil aquisições realizadas entre 1981 e 2008, concluiu que aquisições feitas em períodos de crise têm resultados melhores.

Segundo o estudo, aquisições realizadas em períodos de queda na economia têm duas vezes mais possibilidades de oferecer retorno acima de 50% em longo prazo e, em média, geram 14,5% mais valor para os acionistas da companhia adquirente. (A consultoria considera como economia em queda períodos com crescimento anual abaixo de 3%).

“Muitas companhias fogem de processos de fusão e aquisição durante períodos de queda, mas a pesquisa aponta que, geralmente, este é o momento ideal para fazer uma aquisição”, diz o relatório.

A chave para o sucesso de potenciais compradores está em manter o foco nos tipos certos de empresas a serem compradas: tipicamente aquelas com forte faturamento, mas com rentabilidade frágil.

07 abril 2009



30 março 2009

Desglobalização

Desglobalização. Esta é a mais nova denominação atribuída aos resultados da desaceleração da economia mundial que estamos vivendo, segundo artigo de Marcelo Ninio, publicado na FSP de 29/03/09.

Muitos alegam que o avanço tecnológico e a interdependência econômica revolucionaram a tal ponto os meios de produção que tornaram o processo irreversível. Mas os números mostram recuo em três elementos que definem a globalização:
o movimento de bens;
de capitais; e
de pessoas.

A Organização Mundial do Comércio previu que o comércio global em 2009 terá a maior queda desde a Segunda Guerra Mundial, com contração de 9%. O declínio drástico da demanda e o bloqueio nos canais de financiamento fizeram desabar o volume das transações. Para piorar, barreiras protecionistas começam a ser erguidas em todos os continentes.

A Associação Internacional de Transporte Aéreo registrou queda de 23,2% no transporte de cargas em relação ao mesmo mês de 2008. É um claro sinal de que o pior da crise ainda está por vir, disse o representante da Iata, observando que mais de um terço do comércio mundial de bens é feito por via aérea.

A crise também reduziu o movimento de pessoas. O número de passageiros de vôos pelo mundo caiu 5,6% em janeiro. O de turistas, que vinha crescendo 5% anualmente, encolheu 1% no último semestre, informou a Organização Mundial do Turismo.

A OIT (Organização Internacional do Trabalho) calcula que a crise poderá eliminar até 40 milhões de empregos no mundo até o fim do ano, grande parte entre a população "vulnerável", como a imigrante.

30 março 2009



02 março 2009

A visão de Warren Buffett sobre a crise

Na tradicional carta anual aos acionistas, Buffett defendeu a atuação do governo dos Estados Unidos contra a crise e admitiu que cometeu uma série de equívocos. O megainvestidor alertou ainda para a formação de uma bolha no mercado americano de títulos públicos e admitiu que a crise pode ir além de 2009, mas mostrou otimismo com a capacidade da economia dos EUA em superar desafios. Veja abaixo alguns dos principais pontos da carta:

Sobre a economia - "Nós estamos certos, por exemplo, que a economia vai se arrastar durante 2009 - e provavelmente por mais tempo que isso. Mas isso não nos diz se o mercado de ações vai subir ou cair nos próximos meses."
"Nós vivemos uma disfunção do mercado de crédito, que rapidamente se tornou não-funcional em diversos aspectos”.
"A espiral degenerativa da economia obrigou o governo a tomar medidas em massa. Usando o vocabulário do pôquer, o Tesouro e o Fed [Federal Reserve, o banco central dos EUA] estão apostando todas as suas fichas. O remédio econômico tem sido distribuído a rodo. Essas doses, impensáveis há algum tempo, quase certamente terão seus efeitos colaterais. Cada um pode tentar adivinhar que efeitos serão esses, embora eu acredite que uma consequência provável seja um ataque inflacionário."

Sobre os derivativos de crédito - "Aumentar a transparência é o remédio favorito de políticos, comentaristas e órgãos reguladores das finanças para evitar que o trem volte a sair dos trilhos, mas isso não resolve o problema dos derivativos. Eu não conheço nenhum mecanismo de divulgação que chega perto de descrever e mensurar os riscos de um enorme e complexo portfólio de derivativos.

Sobre novas bolhas - "Quando a história financeira desta década for escrita, certamente ela falará sobre a bolha da internet no final dos anos 90 e da bolha imobiliária nos últimos anos. Mas a bolha do mercado de títulos do Tesouro americano gerada a partir do final de 2008 poderá ser lembrada como algo quase tão extraordinário."

Sobre o desempenho do Berkshire - "Durante 2008 eu fiz alguns investimentos estúpidos. Eu cometi ao menos um grande erro por delegar poderes e outros equívocos menores que também machucaram. Além disso, eu cometi erros por omissão, chupando meu dedo enquanto fatos novos surgiam e que deveriam ter me levado a reexaminar minhas convicções e a agir prontamente."
"O Berkshire sempre foi um comprador de empresas e de ações, e o desarranjo nos mercados deu uma freada em nossas aquisições. Se for investir, lembre-se que o pessimismo é nosso amigo e a euforia é o inimigo."

02 março 2009



16 fevereiro 2009

Compra de empresa. Processo de integração ainda é precário.

Foi publicado no jornal Valor de hoje importante resultado de pesquisa feita pela PricewaterhouseCoopers (PwC) com executivos de cem empresas brasileiras que passaram recentemente por processos de fusão e aquisição. Mostra que um dos aspectos mais críticos é a evasão do capital intelectual. Em média, 25% dos gestores decidem não permanecer na empresa em virtude de políticas contratuais estabelecidas pela nova administração.

Menciona que grande parte dos CEOs dedica um grande empenho à negociação e à assinatura de um acordo de aquisição e fusão. Mas, para os funcionários, o "day after" desses negócios pode não ser bem uma lua-de-mel e sim um pesadelo. Em muitos casos, os principais executivos deixam de cuidar pessoalmente de vários aspectos dos processos de integração, cujos custos costumam ser bem mais onerosos do que os previstos. E os chamados "quick wins", os ganhos imediatos de sinergia, não acontecem tão rápido assim.

O envolvimento da alta gerência nos processos de integração ocupa o primeiro lugar na lista dos aspectos fundamentais para capturar o maior valor no menor tempo possível nos acordos de fusões e aquisições. No entanto, em 70% dos casos esse envolvimento é pequeno ou até mesmo inexistente. O estabelecimento dos "quick wins" também é visto como uma peça-chave para o sucesso das fusões e aquisições, mas muitas vezes é desconsiderado. O plano dos cem dias é crucial e as empresas devem obter o máximo de ganhos possíveis logo depois dos acordos.

A pesquisa mostra, contudo, que a maior parte das empresas - 62% delas - não faz um mapeamento das sinergias possíveis de serem obtidas após a fusão. "Nesses casos, a captura do valor da transação é prejudicada e há grande probabilidade de não atender às expectativas", diz o relatório da PwC.

De acordo com a pesquisa, 40% dos entrevistados responderam que o tempo de integração arrastou-se além do esperado e o atraso é atribuído à complexidade estrutural das empresas e ao despreparo dos colaboradores. Além das diferenças culturais entre as empresas fundidas, há uma falta de entendimento e conscientização dos funcionários em relação aos objetivos da fusão.

A pesquisa mostra que mais da metade dos CEOs de empresas que realizaram fusões e aquisições - 58% deles - não mediu os custos da integração, ou não usou ferramentas de controle para isso. Entre as 42% empresas que calcularam os gastos com a integração, o total desembolsado durante esse processo representou entre 1% e 5% do valor da aquisição. A adaptação dos sistemas de TI é o que mais pesa, absorvendo 13% das despesas com a integração.

16 fevereiro 2009



Utilizando o “Earn-out” na compra de empresa.

Na aquisição de uma empresa o pagamento do preço de compra é composto basicamente em duas formas. Uma no fechamento e a outra forma, denominada “earn-out”, que pode ser em vários pagamentos, vinculada ao cumprimento futuro de metas de desempenho.

“Earn-out” é uma parcela correspondente pagamento de parte do preço de aquisição de uma empresa e vinculada a uma compensação aos sócios vendedores em relação aos lucros futuros da companhia. É uma das formas mais utilizada para estruturar o pagamento adicional ao vendedor referente à parcela do lucro que exceder parâmetro previamente combinado.

Normalmente vinculado ao cumprimento de metas e indicadores de desempenho por parte dos gestores num determinado prazo. Esta modalidade é muito utilizada nas aquisições de empresas de tecnologia e serviços.

Para o comprador tem o atrativo em função de: (i) Valuation – Induz o vendedor a focar na avaliação dos direcionadores de valor relacionados à sua equipe de gestão (por exemplo, premissas de projeções financeiras sob a ótica do comprador) induzindo-o a aceitar que parcela do pagamento estará vinculada ao cumprimento de metas previamente estabelecidas; (ii) Incentivo – Mecanismo destinado a retenção e incentivo aos sócios e principais dirigentes com vistas a implementação do Plano de Negócios. Estimula e desafia os vendedores a permanecer nas atividades e maximizar seus ganhos potenciais. O cuidado que se deve ter é em relação às metas realistas de forma que os dirigentes não venham perder o interesse pelo desafio. É a verdadeira cereja do bolo. (iii) Fluxo de caixa – possibilita negociar ajustes de valores e pagamentos, postergando montantes que seriam desembolsados na frente.

Para o vendedor tem o atrativo em função de: (i) Discordância sobre preço - Fornece um mecanismo de composição de expectativas quando há desacordo em relação ao múltiplo e/ou preço pedido pelo comprador. Entre os exemplos, são os casos de ampliação de base de clientes, tecnologia com grande potencial de crescimento em que o comprador não se sente suficientemente em condições de avaliar seu dinamismo. O “earn-out “ permitirá que o desempenho futuro comprove as premissas e remunere os vendedores com parte dos ganhos realizados. (ii) Acesso a recursos – Proporciona acesso a recursos não só financeiros, como de estrutura de profissionais especializados adicionais, canais de vendas, vendas cruzadas, que em outra circunstância não teria. (iii) Exposição – Ser incorporado numa estrutura maior, com mais status, e reduzindo e mitigando os riscos inerentes ao seu porte. Além disso, amplia o escopo de sua atuação com a perspectiva de crescimento que dificilmente poderia alcançar



30 janeiro 2009

Novo valor de mercado dos bancos


30 janeiro 2009



Davos: empresários vêem oportunidade de aquisições com crise

Líderes empresariais vêem oportunidades para aquisições e fusões com a crise global. Durante o Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, executivos de grandes empresas, que conseguiram manter o balanço de 2008 no azul, afirmaram que estão de olho nos rivais menores. Mark Foster, da Accenture comentou "Vamos ter novas ondas de consolidação com os competidores mais fracos sendo engolidos pelos maiores. A indústria do varejo vai passar por uma fase de consolidação, assim como o comércio, a indústria farmacêutica e as empresas de comunicação".

Em 2008, a número de fusões caiu 30%, com os temores de recessão. No entanto, espera-se que esta tendência será revertida neste ano. Já para John Studzinski, do grupo Blackstone. "O grande setor que deve ser reestruturado é, sem dúvida, o financeiro. Também existe muito trabalho a ser feito em energia e infra-estrutura. Acho que os negócios vão continuar". "Haverá muitas oportunidades. A questão principal é o que se deve fazer para o bem da empresa e acho que devemos ter muito cuidado com as oportunidades, sem ir muito rápido", comentou Maurice Levy, diretor da francesa Publicis.



27 janeiro 2009

Blindagem do Caixa

Boa parte das grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos está com muito dinheiro no caixa, por conta de uma postura bastante conservadora. Estão postergando as decisões relacionadas com o retorno dos recursos aos acionistas ou aquisições na fase de baixa do mercado.

Estão tratando a crise financeira com muita cautela. O crédito continua escasso o que vem deixando empresas de diversos setores extremamente carentes de recursos. "Continuaremos desejosos de caixa", diz Steve Ballmer, executivo-chefe da Microsoft, que possui perto de US$ 21 bilhões no momento. "Neste cenário, a maioria das pessoas vai dizer a você que caixa é tudo. A maioria tende a guardar caixa com unhas e dentes porque nunca se sabe quando você poderá precisar dele."

A forte posição de caixa vem diferenciando o setor tecnológico e proporcionando uma flexibilidade financeira considerável às maiores empresas do setor. Algumas companhias como a Microsoft e a Cisco mantêm grandes posições de caixa desde o estouro da bolha tecnológica no começo desta década. Outras, como a Apple e o Google, aproveitaram o sucesso dos últimos anos para entrar nessa elite de super-ricos.

Os colchões de caixa de empresas de tecnologia aplicados em partes do negócio que exigem menos capital superam em muito essas exigências no momento. Desde o estouro da bolha, muitas outras companhias do setor vêm respondendo às pressões dos acionistas para reduzirem parcialmente os saldos de caixa recomprando ações e fazendo pequenas aquisições.

Mesmo assim, manter um grande colchão de proteção também deixa a companhia com "uma série de opções" para o futuro, como fazer aquisições e investir nos negócios, além de enviar uma mensagem forte aos clientes sobre sua capacidade de resistência, afirmou Frank Calderoni, diretor financeiro da Cisco.

No entanto, embora afirmem que o caixa ajudará as empresas a empregarem melhor seu dinheiro em aquisições, a maioria dos executivos do setor tecnológico diz que elas continuarão realizando apenas negócios relativamente pequenos e que mesmo esses negócios poderão ser muito poucos. "Na verdade, trata-se de uma arma estratégica", afirma Schmidt.

27 janeiro 2009



08 janeiro 2009

E se montar no tigre?

A Gigante indiana Satyam Computer Services, que terceiriza serviços de tecnologia e desenvolve software por encomenda, admitiu ontem 07/01/09 , uma fraude contábil de US$ 1 bilhão. A companhia inflacionou os seus lucros por muitos anos. Apenas no 3º. trimestre de 2008, o lucro operacional divulgado era 11 vezes maior que o real.

Seu presidente disse que "toda tentativa feita para tapar o buraco falhou". "Era como montar um tigre, não sabendo como apear sem ser comido".

A Satyam é a quarta maior empresa de tecnologia da Índia. O faturamento no último ano fiscal ficou em US$ 1,42 bilhão, com um crescimento de 46% - em média o crescimento nos últimos 5 anos foi de 35% a.a. Dos cerca de 375 clientes de sua carteira, 75% são empresas sediadas nos Estados Unidos .

No Brasil, os negócios têm dobrado a cada ano. A sede para a América Latina está em São Paulo, onde ficam 150 pessoas. Em Londrina (PR), há outros 30 funcionários em uma unidade com capacidade de abrigar mil pessoas com o objetivo de atender ao mercado local e prestar serviços a clientes baseados nos Estados Unidos.

As implicações e desdobramentos desta fraude, irão afetar não só os acionistas da Saytam como também os potenciais investidores em empresas indianas no mundo inteiro, seja em função da eficácia dos órgãos reguladores indianos, seja pela ineficiência das práticas de governança corporativa praticadas.

Além disso, os clientes da Saytam não poderão negligenciar com as possíveis conseqüências em relação a uma compra ou fusão por outra provedora de serviços. Neste caso, os possíveis interessados irão analisar com muito cuidado o equilíbrio econômico financeiro dos contratos junto aos clientes, pois pelas dimensões da fraude, pode sinalizar que os preços praticados pelos serviços oferecidos aos clientes não apresentam rentabilidade que justifiquem a assunção de grandes riscos.

E, diante disso, possivelmente o assédio será dos clientes da Saytam junto aos provedores concorrentes.

08 janeiro 2009



06 janeiro 2009

Humor na Crise II


06 janeiro 2009